"Todos temos referências de pessoas que marcaram a
História. Seja na política, na economia, nos esportes, nas artes ou na
academia, sempre encontramos figuras que fizeram a diferença e que nos
servem como ídolos. E é por sabermos que podemos também construir um
legado que nós somos tão reverentes a essas personalidades. Ainda que só
profundamente e mesmo que não nos lembremos disso constantemente, todos
gostaríamos de sermos autores de feitos memoráveis.
Sei que é muito romântica e imatura a visão de que basta esfregar uma
lâmpada para que absolutamente todos nos tornemos gênios, cada qual em
sua área. Seja por determinação genética ou por condições culturais,
sempre será mais desafiador para uns e, para outros, menos. Assim como
nem todas as sementes que são plantadas brotam, nem todos chegaremos ao
ápice. Mas tenho a clara impressão de que poderíamos estar mais
avançados nisso. A aplicação de nossa firme intenção e coragem pode
catalisar o nosso direcionamento para esse ideal. Muitas vezes, como nós
vimos no post de quinta, A causa é você, nós deixamos de assumir a
responsabilidade e minamos nossas possibilidades. A riqueza humana está
aqui, está aí. O desafio é saber como agir no sentido de fazê-la
florescer.
Ninguém, absolutamente ninguém, pensa igual a você. Ninguém fala
igual a você. Ninguém escreve como você. Ninguém anda como você. Ninguém
gesticula como você. Ninguém desenha como você. Ninguém, absolutamente
ninguém, enxerga e interage com o mundo como você. Somos iguais pela
nossa unicidade. Isso significa que, se você não tratar de estimular
esse seu jeito único de entender a realidade, você estará privando a
humanidade desse ponto de vista.
Imagine que você foi premiado com uma bolsa de estudos integral em
Harvard para estudar o que você mais gosta. O mínimo que você faria
seria levar a sério e dedicar-se para ser um aluno exemplar. Você
precisa honrar o privilégio. Esse é um dever seu. Da mesma forma, não
podemos estar dispostos a aceitar uma vida medíocre. Nossa existência
não pode ser sobre cumprir procedimentos e pagar contas. Precisamos
honrar essa oportunidade. Ao nascermos, recebemos do mundo um monte de
energia, potencialidades e aptidões. É o nosso dever, portanto, criar o
retorno desse investimento na forma de excelência, aproveitando todos
esses recursos para pulverizarmos por aí aquilo que temos de melhor.
Enquanto que, para quem simplesmente faz aulas de piano, dominar bem
uma partitura é tão somente algo que lhe traz satisfação, para um
pianista, a mesma ação representa o cumprimento de um propósito de vida.
É uma oportunidade de tocar corações e marcar aqueles que o escutam. O
primeiro gosta da ideia de tocar piano. O segundo se faz inteiro com o
ato. O que tem o piano como um hobbie, escolheu. O pianista foi
escolhido pelo piano.
Essa é uma diferença básica entre aquelas pessoas que fazem as coisas
acontecerem e as que assistem aos acontecimentos; entre as que vivem e
as que sobrevivem; entre as que utilizam as circunstâncias para
construir e as que sofrem com as mesmas. É o que cria o abismo entre
aqueles que deixam um legado e os que terminam a vida se lamentando pelo
que não fizeram.
Dedicar-nos a uma jornada em busca dessa inspiradora forma de viver é o melhor que podemos fazer por nós mesmos e pelo mundo."

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