Wednesday, 22 June 2016

Mudrá, a linguagem gestual

Como já tinha explicado num post anterior, a prática do Método DeRose é constituída por 8 feixes de técnicas, que podem ser organizadas de diversas formas. A mais indicada para quem começa a praticar é o ády ashtánga sádhana, que começa pelo primeiro anga mudrá.

Sendo assim o que é mudrá?

Mudrás são gestos reflexológicos feitos com as mãos. Trata-se da parte do Yôga que estuda e aplica os efeitos dos gestos sobre o psiquismo e, por consequência, sobre o corpo físico. Os mudrás atuam por associação neurológica e por condicionamento reflexológico. Existe também um componente cultural, que reforça ou atenua seus efeitos.
Há diversos estudos publicados nas áreas de antropologia e de psicologia demonstrando que em épocas diferentes, hemisférios diferentes, etnias e culturas diferentes, os mesmos gestos sejam observados, com o mesmo significado. Entretanto não há nada de extraordinário nisso. É fácil perceber como todos os povos expressam sua satisfação e cordialidade através do sorriso e sua revolta através do punho cerrado. Provavelmente você também está se lembrando de vários outros exemplos neste momento.
O número total de mudrás é incerto, uma vez que, dependendo da região, da época e da Escola, os mudrás têm nomes diferentes e até mesmo dois ou três nomes para o mesmo mudrá, dependendo apenas da maneira como ele é executado. Pode-se contudo, compilar mais de 100, dos quais serão mencionados primeiramente os principais para o nosso tronco de Yôga:

Shiva mudrá, para meditação (dorso da mão positiva pousa sobre a palma da mão negativa). Neste mudrá devemos sentir nossas mãos como um cálice no qual recebemos a preciosa herança milenar de força e sabedoria. Amplifica nossa receptividade.
 

Prônam mudrá, para mantra e ásana (palmas das mãos unidas à frente do peito).
Nesta senha, a mão de polaridade positiva se espalma na de polaridade negativa, fechando um importante circuito eletromagnético que faz circular a energia dentro do próprio corpo e recarregá-lo, especialmente se executado durante ou após os mantras. Nos ásanas, tende a proporcionar mais senso de equilíbrio e por isso mesmo é mais utilizado nos ásanas de apoio num só pé.

 

Jñána mudrá, para meditação e respiratório (dedos indicador e polegar de cada mão tocam-se). Este gesto conecta os pólos positivo e negativo representados pelos dedos indicador e polegar de cada mão, passando por eles uma corrente de baixa amperagem e apoiados sobre os chakras dos joelhos, que são secundários. Utilize a variação súrya (palmas das mãos voltadas para cima) quando for dia e a variação chandra (palmas das mãos voltadas para baixo) quando for noite).


Trimurti mudrá, para ásana (os dedos indicadores e polegares formando um triângulo). Este mudrá é simbólico e representa a trimurti hindu, Brahmá, Vishnu e Shiva. Por ter poucos efeitos, é mais utilizado como suporte em movimentação de braços durante a execução de ásanas.

 

Thursday, 16 June 2016

Prática em 8 partes

 
 

A principal característica da parte prática do Método DeRose denomina-se Ahstánga Sádhana. Esta prática é constituída por 8 feixes de técnicas, que podem ser organizadas de diversas formas.
 
A mais indicada para quem começa a praticar é o ády ashtánga sádhana (ádi/ády = primeiro, fundamental; ashta = oito; anga = parte; sádhana = prática).
 
Esta prática que tem a seguinte estrutura:
1. mudrá (gesto reflexológico feito com as mãos);
2. pújá (sintonização com o arquétipo; retribuição de energia);
3. mantra (vocalização de sons e ultra-sons);
4. pránáyáma (expansão da bioenergia através de respiratórios);
5. kriyá (atividade de purificação das mucosas);
6. ásana (técnica corporal);
7. yôganidrá (técnica de descontração);
8. samyama (concentração, meditação e hiperconsciência).
 
No site do Método DeRose você pode fazer o download gratuito de um exemplo desta prática, segue:

Espero que goste. Qualquer dúvida escreva-me.


Nas próximas semanas irei explicar cada anga (parte) da prática. 

Um grande beijo


(na foto o Instrutor Paulo Pacifici) 

Bháva: sentimento



Amooo este conceito. Por vários motivos. Primeiro porque aplicado em aula muda totalmente a percepção que temos da mesma, e no melhor sentido da palavra. Depois porque aplicado na vida muda absolutamente, e para melhor, o resultado daquilo que fazemos, do mais simples ao mais complexo. E por último, porque infelizmente sinto que é algo que hoje escasseia no mundo.

Mas o que é bháva? É o sentimento que confere força.

"Bháva significa sentimento, conduta, amor, inclinação da mente e designa o componente emocional que confere força. Sentimento profundo, reverência, atitude interior, devoção, inclinação da mente ou da consciência no momento presente." (Força da Gratidão, Pújá)

Bháva é um princípio importantíssimo que utilizamos para reforçar o resultado das técnicas. É aquilo que confere poder a tudo o que fazemos.

Quando nos aplicamos ao máximo na execução das técnicas, quando colocamos um sentimento de profunda intensidade no que realizamos, aumentamos diretamente a qualidade do que fazemos. O bháva está, portanto, diretamente ligado à qualidade das nossas práticas e das nossas atitudes. Quanto mais bháva, mais qualidade e mais evolução no aprendizado que o Método nos proporciona.

Aplicar bháva nas técnicas significa praticar sem expectativas de resultado, simplesmente pela arte em si, como a força da vida presente na Natureza atuando na mecânica do Universo.

Ao extrapolar esse conceito para fora da sala de aula e aplicá-lo a todos os momentos de nossa vida, passamos a fazer sempre tudo muito bem feito desde a primeira vez. Todos os instantes de nossa existência se tornam muito mais intensos e com muito mais qualidade.

Wednesday, 8 June 2016

O que é prána?

 
Em todas as aulas referimos muitas vezes o termo prána. Mas você sabe o que é? Então aqui vai:

“Prána é o nome genérico que se dá a qualquer forma de energia manifestada biologicamente. Logo, calor e eletricidade são formas de prána, desde que manifestadas por um ser vivo.
Prána, no sentido genérico, é uma síntese de energia de origem solar e que encontra-se em toda parte: no ar, na água, nos alimentos, nos organismos vivos. Assim, nossas fontes de reabastecimento pránico são o Sol, o ar que respiramos, o ar livre tocando nosso corpo, a água que bebemos, os alimentos que ingerimos.
O prána pode ser visto e fotografado. Para vê-lo a olho nu, basta dirigir o olhar para o céu azul num dia de sol. Divise o infinito azul do céu. Pouco a pouco, começará a perceber miríades de pontos luminosos, extremamente dinâmicos, que realizam trajetórias curvas e sinuosas, com grande velocidade e brilho. Não confunda isso com fenômenos óticos, os quais também ocorrem, mas não guardam semelhança alguma com a percepção do prána. Quanto a fotografá-lo, a kirliangrafia já vem sendo estudada há quase meio século e conta com um acervo bastante eloquente.
Após os mantras e as palmas que os acompanham ocorre uma intensa irradiação de prána pelas palmas das mãos e podemos aplicá-las sobre um chakra que queiramos desenvolver, sobre uma articulação que desejemos melhorar ou sobre um órgão que precise de algum reforço de vitalidade ou regeneração.
(Texto extraído do livro Tratado de Yôga, do DeRose)

A parte da aula em que eu mais refiro o prána, é no anga pránáyáma, que são as técnicas respiratórias, que conduzem à intensificação ou expansão do prána no organismo. Daí a importância extrema dos respiratórios.

Se você pratica, o que mais desejo com este post é que da próxima vez que ouvir em aula este termo consiga vivenciar mais ainda cada técnica.

Tuesday, 7 June 2016

Qual a sua forma de viver?



"Todos temos referências de pessoas que marcaram a História. Seja na política, na economia, nos esportes, nas artes ou na academia, sempre encontramos figuras que fizeram a diferença e que nos servem como ídolos. E é por sabermos que podemos também construir um legado que nós somos tão reverentes a essas personalidades. Ainda que só profundamente e mesmo que não nos lembremos disso constantemente, todos gostaríamos de sermos autores de feitos memoráveis.

Sei que é muito romântica e imatura a visão de que basta esfregar uma lâmpada para que absolutamente todos nos tornemos gênios, cada qual em sua área. Seja por determinação genética ou por condições culturais, sempre será mais desafiador para uns e, para outros, menos. Assim como nem todas as sementes que são plantadas brotam, nem todos chegaremos ao ápice. Mas tenho a clara impressão de que poderíamos estar mais avançados nisso. A aplicação de nossa firme intenção e coragem pode catalisar o nosso direcionamento para esse ideal. Muitas vezes, como nós vimos no post de quinta, A causa é você, nós deixamos de assumir a responsabilidade e minamos nossas possibilidades. A riqueza humana está aqui, está aí. O desafio é saber como agir no sentido de fazê-la florescer.

Ninguém, absolutamente ninguém, pensa igual a você. Ninguém fala igual a você. Ninguém escreve como você. Ninguém anda como você. Ninguém gesticula como você. Ninguém desenha como você. Ninguém, absolutamente ninguém, enxerga e interage com o mundo como você. Somos iguais pela nossa unicidade. Isso significa que, se você não tratar de estimular esse seu jeito único de entender a realidade, você estará privando a humanidade desse ponto de vista.

Imagine que você foi premiado com uma bolsa de estudos integral em Harvard para estudar o que você mais gosta. O mínimo que você faria seria levar a sério e dedicar-se para ser um aluno exemplar. Você precisa honrar o privilégio. Esse é um dever seu. Da mesma forma, não podemos estar dispostos a aceitar uma vida medíocre. Nossa existência não pode ser sobre cumprir procedimentos e pagar contas. Precisamos honrar essa oportunidade. Ao nascermos, recebemos do mundo um monte de energia, potencialidades e aptidões. É o nosso dever, portanto, criar o retorno desse investimento na forma de excelência, aproveitando todos esses recursos para pulverizarmos por aí aquilo que temos de melhor.

Enquanto que, para quem simplesmente faz aulas de piano, dominar bem uma partitura é tão somente algo que lhe traz satisfação, para um pianista, a mesma ação representa o cumprimento de um propósito de vida. É uma oportunidade de tocar corações e marcar aqueles que o escutam. O primeiro gosta da ideia de tocar piano. O segundo se faz inteiro com o ato. O que tem o piano como um hobbie, escolheu. O pianista foi escolhido pelo piano. 

Essa é uma diferença básica entre aquelas pessoas que fazem as coisas acontecerem e as que assistem aos acontecimentos; entre as que vivem e as que sobrevivem; entre as que utilizam as circunstâncias para construir e as que sofrem com as mesmas. É o que cria o abismo entre aqueles que deixam um legado e os que terminam a vida se lamentando pelo que não fizeram.

Dedicar-nos a uma jornada em busca dessa inspiradora forma de viver é o melhor que podemos fazer por nós mesmos e pelo mundo."