Monday, 29 May 2017

O eco do agir



O verdadeiro compromisso é honrado com ação efetiva. Muitas vezes nós nos comprometemos só com palavras. Declaramos que faremos, que pensamos de uma maneira, que temos tal sentimento, mas, depois, agimos em desacordo. A atitude deve, na verdade, preceder o discurso. O que fazemos ou deixamos de fazer dura, fica em registro. Um bom histórico é construído com o agir coerente.
Quando declaramos algo é porque temos a intenção de levar à cabo. Falando, reforçamo-la. E a pretensão é importante. Porém só é realmente válida quando mostrada em ação. Falar não faz acontecer. Seja no engajamento com um ideal, na construção de um projeto ou no simples horário marcado com um amigo, é sempre a atitude que vai ou não construir integração, um bom resultado ou um bom nível de confiança.
Falar é fácil, pois palavras são soltas de nossas bocas ao vento, e, nele, dissipam-se, são diluídas como um gás. Em poucos instantes já não há resquício aparente. Contudo, toda vez que professamos algo e não temos o cuidado de honrar com a nossa conduta, perdemos força. Independente de termos ou não ciência do descumprimento. E quanto mais falhamos, mais tendemos a falhar.
Uma boa forma de nos vacinarmos contra isso é assumirmos que o comportamento deve vir antes. A brincadeira é só discorrer sobre depois de já ter feito. Tratar de defender a ideia de ter um determinado hábito quando já o estivermos incorporando.
Quando o vibrar produzido pelas palavras que professamos já se gastou e só resta o silêncio, vivenciamos o vácuo de nossas atitudes. O silêncio é o espaço no qual só as ações falam. Isso é o que resta. Isso vai para cama conosco todos os dias.
Quando mostramos compromisso e firmeza por meio de ações efetivas, nosso silêncio ganha valor; nosso olhar, poder; e nossa presença, magnificência. A beleza do silêncio se mostra mediante o cultivo dessa integridade. Quanto mais a temos mais agradável é vivenciar o vazio que contém o eco do nosso comportamento.